27.12.06

The Best Of 2006... But Could Be Better

Após a excepcional colheita de 2005, o ano que está a terminar foi pouco consistente em termos de qualidade musical. Mas felizmente que encontrámos, ou então se deram a ver, preciosidades em número suficiente para ainda valer a pena pensar numa lista dos melhores do ano!

2006 confirmou a "invisibilidade" do CD, a segunda vida do vinil, o completo eclipsar dos mais recentes suportes alternativos (mini-Discs, DCCs, DATs, etc.) fora de nichos profissionais e, graças a uma marketing fantástico, o iPOD ganhou um estatuto tal - de liberdade, de inovação, de statement - que até parece que o Walkman nunca de existiu.
O que nunca existiu como agora é a possibilidade de, quase instantaneamente, se partilhar (antes dizia-se copiar) em ficheiro (antes era em cassettes) música sem intermediários organizados (sim, as editoras). Por mais gratuito que seja o mp3, para um concertozinho ainda se paga bilhetinho e aí os bons têm sempre retorno, ou seja, público...nós!

Vamos então conhecer, por ordem crescente, aqueles que na minha opinião se destacaram este ano.

25

I'M FROM BARCELONA "Let Me Introduce My Friends"

A união faz a força. Nem sei ao certo quantos são estes simpáticos e alegres suecos, mas a simplicidade das melodias e a descontração cosmopolita evidenciam-se na sua música.
Boa estreia.

24

HERBERT "Scale"

Matthew Herbert desenvolveu um estilo muito próprio, de manipulador virtuoso do som, não apenas da música e da melodia. Tornou-se com isso personagem incontornável da música de dança contemporânea o que o compromete com expectativas alinhadas à sua dimensão.
Um bom álbum de Herbert, sendo um Herbert menos audacioso que o do fabuloso "Bodily Functions" mas mais desanuviado que o do contestatário "Plat Du Jour".

23


HOT CHIP " The Warning"

Electrónica naif, música de dança tímida ou electrónica que se desconhece a si própria? O mundo dos Hot Chip ainda não é nítido mas destes Londrinos poderão surgir coisas a ter em muita conta. Para já, alguns temas fortíssimos que já merecem remisturas de consagrados.

22

ARTIC MONKEYS "Whatever People Say I Am, That's What I'm Not"

Deram imenso nas vistas logo no início do ano, mais um fenómeno gerado na net mas com perfeita correspondência fora dela (não se podem queixar das vendas da velhinha rodela de plástico).

Rock seco e áspero, britishness evidente e uma enorma vontade de vingar. Veremos para onde vão agora que a nova vaga de rock'n'rollers se está a esgotar. Certo é que deixam em 2006 um bom album.

21


EL PERRO DEL MAR "El Perro Del Mar"

Ok, é a menina de voz frágil do ano a carregar nas suas melodias dóceis todas as inseguranças e dúvidas do mundo...do seu mundo. Mas este ano ninguém fez tão bem este papel como a sueca Sarah Assbring, por isso está aqui.

20

LOVE IS ALL "Nine Times The Same Song"

O quê! Mais suecos? Pois é, não sabemos que vitaminas andam a tomar os escandinavos, mas do melhor som que ouvimos este ano vem de lá. Energéticos, radiantes, crentes e inspirados...a fazerem o album rock que muitos falharam ao longo do ano. A ouvir quem ainda não conhece.

19


SPEKTRUM "Fun At The Gymkhana Club"


De regresso a Inglaterra e de novo à electrónica. É o novo dos Spektrum depois do excepcional disco de estreia. Voltam a abordar a importânica da imperfeição no dancesound, a levar mais longe a noção de música incompleta, aquela que deixa sempre a um sabor a pouco na boca. Os "temperos" electro estão lá bem óbvios, as vozes variam enter o comic e o soul, o ritmo é de festa e tem aquela coisa que nos diz logo quem são: são os Spektrum!

18


BURAKA SOM SISTEMA "From Buraka To The World"

Aí está! Som nacional a passar a perna a muito consagrado internacional. Productores e MCs que souberam sentir e interpretar as miscenizações musicais e linguistícas geradas à nossa volta, criadas ou fortemente influenciadas pelas comunidades migrantes e seus descendentes. Depois é juntando inspiração e, inteligentemente, o que está a "dar" e o que a malta "quer" dançar que se obtém esta bomba rítmica. Yah!

17


SILENT POETS "Sun"

Mais um excelente trabalho dos nipónicos Silent Poets, contando com óptimas colaborações e gerando ambientes downtempo envolventes polvilhados a soul. Um disco que talvez não tenha tido o destaque merecido junto das rádios e da imprensa especializada. Ou talvez esteja só um pouco fora do tempo. Mas ainda assim, ou por isso, muito bom.

16



THE STROKES " First Impressions Of Earth"

À procura de consistência após o grande boom de "Is This It" e do grande pfffsss de "Room On Fire", eis de novo os Strokes com um bom disco, com uma produção mais elaborada e uma coolness em redefinição.
E até chega a soar a Magnetic Fields...

15



VOOM VOOM " Peng Peng"

Peter Kruder, Christian Prommer e Roland Appel decidiram comunicar por onomatopeias e criaram um dos melhores productos da dança electrónica de 2006. Eis como criar música vibrante sem querer a revolução. Poing!!!

14


NIGHTMARES ON WAX "In a Space Outta Sound"

O regresso às edições de George Evelyn, menos aclamado que habitualmente mas com aquele toque especial que os N.O.W. imprimem às suas produções. Electrónica esfíngica para ambientes em tons de fumo translúcido. Ainda e sempre "Smokers Delight".

13


NELLY FURTADO "Loose"


Ena pá...é ela. A menina do Euro 2004, estrela da MTV, capa de Bravo, a ponta de lança Lusa em terras de Uncle Sam para dizer que também estamos nos TOPs dos USA, aquela que era um passarinho, enfim, será tudo menos considerada uma artista com créditos suficientes para figurar nos territórios das tendências mais hype, das produções cutting edge, dos autores, cantautores e demais comunidade artística com estatuto arty. E até talvez não. Contudo a verdade é que, não cedendo ao mainstream, Nelly Furtado consegue metamorfosear a sua carreira e obter outro olhar da crítica, escalar os tops e conseguir meia dúzia de temas fenomenais - ok, ok, com os devidos agradecimentos a Timbaland, mas Justin Timberlake também o teve e não se safou - incluindo o único que conseguiu ombrear em 2006 com "Crazy" dos Gnarls Barkley: "Promiscuous". Um ano com força.

12


ACEYALONE "Magnificent City"

Magnífico disco, com uma óptima produção de RJD2, demonstrando a capacidade do hip-hop trilhar caminhos paralelos aos dominantes, e que são sem dúvidas, caminhos muito estimulantes. Depois dos fiascos de Pharrell e Outkast, importa conhecer o bom hip hop made in USA.

11


LINDSTROM "Its A Feedelity Affair"

Depois de vários EPs que geraram algum culto em seu redor (adivinhem...sim, é Sueco) Hans-Peter Lindstrom compilou-os em longa-duração e assim surgiu este disco. Sonoridades familiares a uma escola de soul nórdica, se é que isso existe, carregadas de ironia e de hedonismo e que nos voltam a fazer olhar para a Escandinávia. Parece que se vive bem lá.

10


TV ON THE RADIO "Return To Cookie Mountain"

Complexo este álbum dos Nova-Yorquinos TV ON THE RADIO, brincando com os significados, difícil de incluir numa categoria, seja ela específica ou lata, fascinante na envolvência. Obriga a muitas audições pera permitir uma opinião formada, dá luta e é muito bom.

09


SHE WANTS REVENGE "She Wants Revenge"

Os sons logo-após-punk dos anos 80 continuam a influenciar muita gente. É que a música que se fez nesses anos continua a ser da melhor música de sempre. Logo, em jeito de dedução linear, se alguém muito influenciado por essa música estiver inspirado e fizer um bom disco, esse disco será pelo menos um dos melhores do ano em que for lançado. Correcto, e isso aplica-se em 2006 a estes Californianos sem gabardines mas com muito feeling.

08



BECK "The Information"

Mr. Beck voltou a lançar um grande álbum de Beck. Noutros tempos, quando estava mais inn, seria dissecado nos FMs e remasterizado num flash para as pistas. E este é só mais um album excelente de quem não sabe fazer um mau disco (opss, esqueci-me do "Midnight Voltures").

07


GNARLS BARKLEY "St. Elsewhere"

"Crazy, I Think you're crazy..." talvez a tocar num telemóvel perto de si, o que diz muito deste single arrasador que antecipou o lançamento do CD. Produto da inspiração do super-productor Danger Mouse e da forma de Cee-Lo Green, é sem dúvida um dos marcos do ano em termos músicais e dos que mais influências deixa para o futuro. E tudo começou na net.

06


KOOP "Koop Islands"

Belo álbum este. É certo que já não provocaram com ele o encantamento do anterior "Waltz For Koop", mas manteve-se a magia na produção, a forma como retratam a nostalgia de um outro tempo do jazz e no jazz.

05


SAM THE KID "Pratica(mente)"

Sam The Kid é o maior! Productor e MC, não canta, expõe-se na música, enfrenta todos e faz a radiografia geracional de quem orbita em torno das grandes cidades desde que há subúrbios neste jardim à beira mar plantado. Complexo e violento, exacto e ácido, taxativo e comovente este é o melhor disco de música portuguesa do ano e daqueles que ficam na memória para quando se falar dos melhores de sempre.

04


LCD SOUNDSYSTEM "45:33"

Mesmo de encomenda, James Murphy não falha. A pedido da NIKE, visando e edição de um CD a ser revendido nas suas lojas, eis um lançamento inesperado em duplo sentido - primeiro por a DFA ter aceite o repto, segundo por ser tão bom.
Uma única faixa, 45 minutos de música para treinar e um dos melhores lançamentos do ano. Para quê ser convencional?

03


BUGZ IN THE ATTIC "Back In The Dog House"

Cá estamos nós no pódio, com o terceiro lugar a ser entregue a este conjunto de DJs e productores Londrinos que, em parceria, têm lançado dos melhores trabalhos no campo da dance music mais recente. "Back In The Dog House" coloca-se a tocar no CD (ou iPOD, ou PC, ou whatever) e torna-se muito difícil tirá-lo de lá. Sticky! Uma excelente produção.

02


BEIRUT "Gulag Orkestar"

Há algo de muito especial na primeira audição de "Gulag Orkestar". Ficamos surpreendidos com tanta beleza e na dúvida sobre o que motivou um disco assim, quem é que o canta, e porquê agora tão novo. Sim, porque Zach Condon tem 19 anos e vive em Albuquerque, USA. No entanto esta álbum soa maduro, com sonoridades eslavas, ciganas, de uma orientalidade redefinida e muito própria. Um dos discos memoráveis de 2006.

01


JHELISA "A Primitive Guide To Being There"


Ganhou a soul mágica de Jhelisa. Um disco perfeito, onde a voz desta americana descola do clássico modelo de sensualidade explorada pelos produtores do momento para dar expressão a manifestos soul com uma intensidade e comprometimento pouco usuais. O resultado é maravilhoso, sem dúvida algo de muito especial.